Correio Feminino – Clarice Lispector

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Nesse livro o leitor encontrará uma face mais desconhecida de Clarice Lispector: uma Clarice do cotidiano popular feminino. Correio Feminino é uma obra que não mostra só a escritora renomada, mas uma cronista da imprensa carioca e, acima de tudo, uma mulher.

Clarice começou suas atividades na imprensa entre as décadas de 1940 e 1950, publicando entrevistas, traduções e contos em revistas cariocas, até que foi chamada por Rubem Braga para escrever na coluna feminina Comício. Ela, contudo, passou a escrever se protegendo com o uso do pseudônimo Tereza Quadros, para que pudesse escrever textos menos elaborados preservando sua identidade e imagem de escritora e esposa de diplomata.

Aliás, o uso de pseudônimos por Clarice não foi exclusivo a essa coluna, mas comum a outras que escreveu na época. Tratava-se de um cuidado da autora.

Nessas colunas Clarice abordava temas do cotidiano de seu público: as mulheres. Eram conselhos, reflexões sobre a vida e saúde, técnicas de sedução, medidas para agradar o cônjuge, assuntos do lar, receitas e segredos do universo feminino, dentre tantos outros que conquistavam suas leitoras por encontrarem na escritora uma amiga, confidente e conselheira.

Apesar de esses textos não refletirem as minuciosas análises da alma e do psicológico humano – características das obras de Clarice –, neles encontramos bases e indícios de sua literatura. Como Tereza Quadros, Helen Palmer ou Ilka Soares, Clarice publicava coisas aparentemente simples, mas incitava também reflexões sobre o comportamento da mulher e seu posicionamento na sociedade.

Ainda que alguns conselhos possam parecer hoje ultrapassados, as dicas de Clarice contribuem para remontar o papel atribuído às mulheres nos anos 1950 e 1960, mostrando códigos de conduta que as mulheres precisavam obedecer para que pudessem ser bem vistas pela sociedade, por seu marido e até mesmo por si próprias.

Ouça aqui Correio Feminino

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+ Clarice Lispector

Imagem Clarice Lispector nasceu em 10 de dezembro de 1920 na Ucrânia e faleceu em 9 de dezembro de 1977.

Começou a escrever logo que aprendeu a ler, na cidade de Recife, onde passou parte da infância no bairro de Boa Vista. Estudou no Ginásio Pernambucano de 1932 a 1934. Falava vários idiomas, entre eles o francês e o inglês. Cresceu ouvindo no âmbito domiciliar o idioma materno, o iídiche.

Quando tinha 15 anos seu pai decidiu se mudar para o Rio de Janeiro. Clarice estudou em uma escola primária na Tijuca, até ir para o curso preparatório para a Faculdade de Direito. Foi aceita para a Escola de Direito na então Universidade do Brasil em 1939. Viu-se frustrada com muitas das teorias ensinadas no curso, e descobriu um escape: a literatura. Em 25 de maio de 1940, com apenas 19 anos, publicou seu primeiro conto “Triunfo” na Revista Pan.

Durante toda sua vida Clarice teve diversos amigos de destaque como Fernando Sabino, Lúcio Cardoso, Rubem Braga, San Tiago Dantas e Samuel Wainer, entre diversos outros literários e personalidades.

Obras: Perto do Coração Selvagem; O Lustre; A Cidade Sitiada; A Maçã no Escuro; A Paixão Segundo GH; Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres; Água Viva; A Hora da Estrela; Correio Feminino e Felicidade Clandestina.