As melhores crônicas de Fernando Sabino – Fernando Sabino

Localização do livro na estante: G869.94 / S116me.6 e G869.94 / S116m.10
PISO 2 (Direita – Bloco 1)

As melhores crônicas de Fernando Sabino exalam a simpatia do autor pela natureza humana e os fatos cotidianos que nela ocorrem, fazendo com que suas crônicas sejam compostas por tons de humor, ironia, sensibilidade, destreza e imaginação.

Cada volume apresenta 50 crônicas escritas com um toque de ficção e aprimorada técnica literária revelando os encontros e desencontros presenciados pelo autor. E para deixar um gostinho de quero mais O pato sou eu, Gravata com G, A lua quadrada de Londres e A última crônica são algumas das crônicas que você encontrará nesses volumes.

Saboreie recortes de uma crônica:

“SÁBADO eu vou ao teatro – decidi ferozmente, ao saltar do ônibus em frente a uma agência teatral de Londres. Há meses que prometo à minha mulher levá-la ao teatro – só me lembro de comprar ingresso quando a peça que ela gostaria de assistir já saiu de cartaz.

Entrei impávido agência adentro:

– Dois para sábado: The Killing of Sister George.

Saí com os dois ingressos no bolso. Sentia-me um herói: sábado nós iramos ao teatro para saber quem matou a irmã Geórgia.

No sábado avisei minha mulher displicente:

– Hoje nós vamos ao teatro.

[…] ”

– Seu doutor! Já chamamos o socorro, não podem vir, seu doutor!

[…] Não vai me dizer que é para concertar um cano furado.

Era.

Entramos pelo cano. A água, jorrando do sistema de aquecimento num quarto do segundo andar, infiltrava-se pelo soalho e começava a gotejar no forro da sala. E o forro da sala, de papelão e gesso como nas demais casas inglesas, já apresentava uma senhora barriga de pelo menos nove meses.

[…]

À custa de um galeio, que ainda hoje me dói nos quartos, consegui penetrar naquele mundo estranho, como o casco de um navio abandonado, que é o sótão de uma casa inglesa. Encontrei a caixa-d’água, mas não encontrei onde fechar a água. Voltei para o meu espavorido mundo doméstico, depois de ficar dependurado no teto como um enforcado, os pés buscando apoio nos ombros de português. Ah, minha roupa de ir ao teatro.

[…]

– Fechei o registro. É no vizinho de baixo.

O registro era no vizinho: vê quem pode.

Fiquei sem água até que ele mandasse o bombeiro. Na segunda-feira ele mandou o bombeiro. Ficou faltando apenas restaurar a feia chaga do teto, e isso seria novo ato do dramalhão. Caía o pano, eu voltava a viver em seco, eis o que importava.

Mas até hoje não sei quem matou a irmã Geórgia.”

(Quem matou a irmã Geórgia – Páginas 50-53)