Gabriela Cravo e Canela – Jorge Amado

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Lançado em agosto de 1958, Gabriela Cravo e Canela é uma das obras mais famosas de Jorge Amado.

O romance já venceu importantes prêmios de literatura (como o “Jabuti” e o “Machado de Assis”), foi traduzido para diversas línguas, transformado em filme, espetáculo de dança e em novelas, conquistando o público e crítica pela irreverência da jovem Gabriela e pela qualidade da obra como um todo.

Gabriela Cravo e Canela é uma crônica da velha Ilhéus nos tempos de riqueza proporcionada pelo cacau. Em busca de trabalho, Gabriela vai em direção a Ilhéus e acaba sendo contratada como cozinheira por um comerciante árabe, Nacib. Não demora para que a jovem provocante chame a atenção dos homens, inclusive a de seu patrão, por sua cor de canela e  cheiro do cravo. Mas o poder de sedução de Gabriela faz crescer o ciúme de Nacib, que se apaixona pela moça e deseja a manter como esposa. Gabriela, contudo, preza por sua liberdade, o que traz mais complicações à trama.

Além da história de paixão e luxúria entre Gabriela e Nacib, a obra remonta disputas políticas e mostra algumas das mudanças sociais que aconteceram naquele período.

Esse livro representa também um marco na escrita de Jorge Amado. Se antes as produções do autor eram mais voltadas para a crítica política e social, em Gabriela o escritor baiano acrescenta um novo elemento em seu texto: o humor.

Saboreie alguns trechos:

A voz de Gabriela era cariciosa mas definitiva:

– Já te disse minha tenção. Vou ficar na cidade, não quero mais viver no mato. Vou me contratar de cozinheira, de lavadeira ou pra arrumar casa dos outros…

Acrescentou numa lembrança alegre:

– Já andei de empregada em casa de gente rica, aprendi a cozinhar.

– Aí tu não vai progredir. Na roça, comigo, a gente ia fazendo seu pé-de-meia, ia tirando pra frente.

Ela não respondeu. Ia pelo caminho quase saltitante. Parecia uma demente com aquele cabelo desmazelado, envolta em sujeira, os pés feridos, trapos rotos sobre o corpo. Mas Clemente a via esguia e formosa, a cabeleira solta e o rosto fino, as pernas altas e o busto levantado. Fechou ainda mais o rosto, queria tê-la com ele para sempre. Como viver sem o calor de Gabriela? (p.8)

O cheiro de cravo,

A cor de canela,

Eu vim de longe,

Vim ver Gabriela. (Moda da zona do cacau) (s.p.)

Clique aqui para ouvir:   Gabriela Cravo e Canela

Capitães de Areia – Jorge Amado

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Lançado em 1937, Capitães de Areia figura entre os livros mais vendidos de Jorge Amado. A obra mostra a vida dos meninos de rua da cidade de Salvador na década de 1930 – os chamados “capitães de areia” –, revelando o abandono e a vida desses menores.

O romance abre espaço para uma crítica social contada pelas histórias de Pedro Bala e seus companheiros. Esses meninos formavam um grupo, com suas regras e condutas próprias que, sem os cuidados de responsáveis, acabavam se tornando pequenos delinquentes.

Em meio às dificuldades, algumas pessoas apareciam para ajudar os meninos. Contudo, eles eram ainda perseguidos pela polícia e tidos como marginais por muitos da cidade.

Em Capitães de Areia, Jorge Amado traz à tona um fato que é realidade em tantas cidades brasileiras, com as crianças que são tratadas como invisíveis e que, frequentemente por falta de ajuda, passam a praticar atos ilegais.

Pelo tom de denúncia, Capitães de Areia casou grande repercussão em sua publicação. A obra chegou a ser proibida pela censura durante o período dos militares do Estado Novo, podendo ganhar uma nova edição somente sete anos após seu lançamento.

 Saboreie alguns trechos:

 Pedro Bala acordou com um ruído perto de si. Dormia de bruços e olhou por baixo dos braços. Viu que um menino se levantava e se aproximava cautelosamente do canto de Pirulito. Pedro Bala, no meio do sono que estava, pensou, a principio, que se tratasse de um caso de pederastia*. E ficou atento para expulsar o passivo do grupo, pois uma das leis do grupo era que não admitiriam pederastas passivos. Mas acordou completamente e logo recordou que era impossível, pois Pirulito não era dessas coisas. Devia se tratar de furto. Realmente, o garoto já abria o baú de Pirulito. Pedro Bala se atirou em cima dele. A luta foi rápida. Pirulito acordou, mas os demais dormiam (p.43).

Castigos… Castigos… É a palavra que Pedro Bala mais ouve no Reformatório. Por qualquer coisa são espancados, por um nada são castigados. O ódio se acumula dentro de todos eles. (p.181)

 Curiosidades:

Publicada em 1937, a obra é uma das preferidas do escritor, editor, gráfico e livreiro, diretor presidente do Grupo Editorial Scortecci. O livro retrata a vida de meninos de rua em Salvador e teve a 1ª edição apreendida e exemplares queimados em praça pública, na capital baiana, pela ditadura de Vargas.

Ouça aqui Capitães de Areia

+ Jorge Amado

Jorge Amado de Faria nasceu no dia 10 de agosto de 1912 em Itabuna, Bahia e faleceu no dia 6 de agosto de 2001, em Salvador. Escritor e jornalista, suas primeiras obras tinham um teor político e social, mais tarde seus livros passaram a enfocar o misticismo e os costumes da Bahia.

Estudou no Colégio Antônio Vieira e depois no Ginásio Ipiranga em regime de internato em Salvador. Em 1931 foi aprovado entre os primeiros colocados na faculdade de Direito da Universidade do Rio de Janeiro; a partir deste período começa a ter contato com artistas e intelectuais como Raul Bopp, Rachel de Queiroz, Gilberto Freire, Graciliano Ramos, Vinícius de Moraes e José Lins do Rego.

Em 1931 é publicado seu primeiro romance “O país do carnaval”. Seu romance seguinte “Cacau”, é apreendido por policiais e Jorge é obrigado a  exilar-se na Argentina.

De volta ao Brasil casa-se com sua primeira esposa Maria Matilde Garcia Lopes, publica “Mar Morto” e “Capitães de Areia“.

Em 1938 muda-se para São Paulo e seus livros começam a ser traduzidos e publicados no exterior. Neste ano publica na Argentina “A vida de Luís Carlos Prestes”.

Em 1944 publica “Terras do sem fim” e separa-se de Matilde.

Em 1946 engaja-se na política, sendo responsável por várias leis que beneficiaram a cultura.  Neste período conhece Zélia Gattai, com quem passa a conviver. Publica “Seara Vermelha” e o “Amor de Castro Alves”.

Em 1958 escreve “Gabriela, cravo e canela” e pouco tempo depois “Dona Flor e seus dois maridos”.

Em 1961, foi eleito para a cadeira de número 23, da Academia Brasileira de Letras, que teve como primeiro ocupante Machado de Assis.

Jorge Amado recebeu inúmeros prêmios nacionais e internacionais e também diversos títulos honoríficos nacionais e estrangeiros, dentre eles o de Doutor Honoris Causa em 10 universidades: no Brasil, Itália, França, Portugal e Israel. Suas obras tiveram inúmeras adaptações para o cinema, televisão e o teatro e seus livros foram traduzidos para 49 idiomas e dialetos.

Livros do autor: “O país do carnaval”; “Cacau”; “Suor”; “Jubiabá”; “Mar Morto”; “Capitães de Areia“; “Terras do sem-fim”; “São Jorge dos Ilhéus”; “Seara Vermelha”; “Os subterrâneos da Liberdade”; “Gabriela, cravo e canela”; “Dona Flor e seus dois maridos”; “Tenda dos Milagres”; “Teresa Batista cansada de guerra”; “Tieta do ageste”; “Farda, fardão, camisola de dormir”.

Em 6 de agosto de 2001 Jorge Amado morreu em Salvador e conforme era seu desejo foi cremado e suas cinzas enterradas no jardim de sua casa.