O Poder dos Quietos -Susan Cain

o-poder-dos-quietos-capa5b15d5b15dO Poder dos Quietos, de Susan Cain, aborda o tema da introversão (ação ou resultado de se voltar para si mesmo). Confessadamente introvertida, a autora do livro descreve através de exemplos bastante conhecidos (Albert Einstein, Frederick Chopin, Al Gore, Steven Spielberg, Bill Gates, entre outros), que mesmo pessoas introvertidas, obtiveram sucesso em um mundo onde a extroversão e o fascínio em aparecer é muito mais valorizado e reverenciado.

A extroversão, assim como o seu oposto, devem ser encaradas como características pessoais e não algo como no caso da introversão, um defeito que deveria ser “consertado”. O interessante nesse livro é que a autora se debruça sobre dados estatísticos e em pesquisas psicológicas e neurobiológicas revelando, por exemplo, que aproximadamente setenta por cento dos escritórios nos EUA favorecem aqueles que gostam de se expor, já que não possuem divisórias ou paredes para se comunicar, para desespero dos introvertidos que preferem ambientes mais reservados. A autora mostra também, um estudo da Universidade da Califórnia, revelando que pessoas introvertidas possuem uma tendência maior à criatividade e, quando são respeitadas e não pressionadas conseguem desenvolver a liderança perfeitamente bem, comparando-se com um perfil mais extrovertido.
Pessoas extrovertidas gostam de se expor, os introvertidos preferem pensar e demoram mais a apresentar suas ideias. Diferente do tímido que sofre com a exposição, o introvertido necessita de tempo e segurança para isso, encara compromissos sociais e não é avesso aos relacionamentos, embora seja mais seletivo, principalmente na fala, mais contido e menos verborrágico, ou seja, é mais reflexivo e cuidadoso sendo, portanto, menos influenciável, o que, sem dúvida, são valores positivos a serem considerados e realçados.
 Na contramão da corrente atual, que promove e valoriza o indivíduo que se expõe e que gosta de ficar “sob os holofotes”, o livro vai pontuando que a introversão pode ser um aliado poderoso, uma característica que não precisa ser escondida ou rejeitada, especialmente por aqueles que a possuem, no mundo do sucesso instantâneo e da exposição midiática narcísica também existe um espaço digno e confortável (como não poderia deixar de ser, sob o ponto de vista introvertido), para os mais reservados que também precisam ser ouvidos e respeitados e que não devem temer comparações podendo, se desejar, opinar e, porque não, também experimentarem a vez de emitir suas opiniões e comentários, sem que isso soe como algo esquisito ou modesto, mas simplesmente diferente.
Aproveitar esse potencial e não envergonhar-se dele passa a ser um desafio e uma busca para aqueles que se identificam com isso. Imaginemos como se beneficiariam disso muitas crianças que, sendo introvertidas, são expostas a tantos constrangimentos e dificuldades nas escolas e nos encontros sociais quando através da comparação com outros colegas extrovertidos mostram-se desengonçadas e menos participativas, uma espécie de bulling social, utilizando um termo atual, que vem chamando atenção de pais e educadores. Pois bem, essa observação também deveria ser conferida, afinal, trata-se de outro paradigma que, com calma e em silêncio, precisaria ser devidamente identificado e, principalmente respeitado. Afinal, educar crianças quietas em um mundo que não consegue ouvi-las ou não se dispõe a compreendê-las é um desafio e uma tarefa que precisa ser desenvolvida, e essa é a proposta da autora no livro.