Vinicius de Moraes – Coleção Encontros

Localização do livro na estante: G928.69 / V785mPISO 2 (Direita - Bloco 1)

Localização do livro na estante:
G928.69 / V785m
PISO 2 (Direita – Bloco 1)

Esse livro traz um conjunto de textos selecionados, onde podemos encontrar retratos calorosos da sua relação com os amigos, como no depoimento a Otto Lara Resende, Lúcio Rangel, Ricardo Cravo Albim e Alex Viany, realizado no Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro em 1967, e pela primeira vez publicado na íntegra; ou na divertida entrevista realizada por Tarso de Castro, em companhia de Tom Jobim, Toquinho e Miúcha, na qual eles combinaram só responder com mentiras e difamações. Em ambos os casos nos sentimos privilegiados, como se compartilhássemos em uma mesa de bar e da intimidade dessas figuras notáveis.

Saboreie alguns trechos:

E seus mestres, quais foram?

O maior foi a mulher, e continua sendo. Isso, dentro da vida. Na poesia foram meu finado pai, Guilherme de Almeida, Menotti del Picchia, Júlio Dantas, Guerra Junqueiro, Castro Alves, na fase adolescente. Depois, Manuel Bandeira, Jayme Ovalle, o Camões lírico, o romanceiro português, um pouco de Rilke, um pouco de Lorca, um pouco de Eliot, um pouco de Blake, um pouco de Whitman. E muito de Shakespeare e Rimbaud. Este sobretudo, que continuo a achar o maior poeta de quantos já nasceram. No setor da música, em que funciono “de ouvido” aprendi muito com Bach e Chopin, e depois com Débussy e Ravel, que acho (Ravel sobretudo) os pais da música moderna, sobretudo no campo da harmonia. Ravel é genial. E Villa-Lobos, que considero, sem favor, o maior músico erudito deste século – mais que Prokofiev ou Stravinski. Com relação à música popular, absorvi de tudo, do tango argentino à música diatônica oriental. Aprendi com os sambistas antigos, Pixinguinha e Ismael Silva sobretudo; com os grandes do jazz americano, de Jelly Roll Morton a Charlie Parker, incluindo alguns “cobras” do cool jazz. Aprendi com Caymmi, com Ary, com Donato, com João Gilberto. Mas com quem mais aprendi foi com meu parceiros, Antônio Carlos Jobim, sobretudo. Estou sempre aprendendo. Agora estou aprendendo com Baden, com Edu Lobo, com Francis Hime. E vou recomeçar a aprender com Carlinhos Lyra, com quem vou retomar o trabalho. É um nunca acabar de aprender. Evidentemente, porque todos esses músicos nunca tiram exatamente o mesmo som dos instrumentos, há sempre uma novidadezinha, uma harmoniazinha nova que surge, um sentimento diferente no canto…

(p.82)

Como você encara todo o seu trabalho até agora? Está satisfeito?

Satisfeito jamais. Em 1954 publiquei minha antologia e a partir daquela fase eu achei que não devia me repetir mais, qualquer tentativa de continuar seria uma espécie de repetição de tudo o que eu tinha feito. Fiz, então, apenas poemas esparsos porque achei que não tinha mais nada para dizer. Mas não que eu tivesse desistido. Partir para a canção foi também porque eu não estava satisfeito com o tipo de comunicação que o livro dava, achava estreito e queria ampliar essa comunicação. Em Motevidéu, de 1958 a 1969, eu escrevi poemas, mas era ainda uma espécie de vídeotape, das coisas passadas, era velho Vinícius e desse eu queria efetivamente me libertar.

(p.106)

Você tem preferência por algum dos seus livros?

Tenho. Pelas Cinco elegias e Poemas, sonetos e baladas, edição limitada, com desenhos de Carlos Leão e tirada por meu amigo, o pintor Clóvis Graciano. Gosto muito, também, da edição de luxo de alguns poemas meus escolhidos e ilustrados com fotografias do meu filho Pedro de Moraes. Gosto pelas fotografias, que são muito lindas e condizentes.

(p.152)

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+ Vinícius de Moraes

Vinicius de Moraes

Vinicius de Moraes

Marcus Vinicius da Cruz Mello Moraes nasceu em 19 de outubro de 1913, no Rio de Janeiro. Morreu também no Rio de Janeiro, a 9 de julho de 1980.

Atraído pela música desde cedo, Vinícius de Moraes teve seu primeiro poema musical publicado na revista A Ordem, em 1932.

Os primeiros passos de sua carreira estão ainda sob influências neo-simbolistas, contendo certo misticismo. Porém, logo modificou seu estilo para o erotismo, em contraste à suas obras de tom bíblicos anteriores.

Nesta segunda fase, Vinícius de Moraes é caracterizado por inovações na ordem formal, a mais notável destas seria o aparecimento dos sonetos. Revela, nesta segunda fase, uma valorização para o momento, com as coisas acontecendo de repente. Seus poemas trabalharam também com a felicidade e/ou a infelicidade.

O autor procurou escrever algumas poesias no ramo social e fez importante colaboração para a música nacional, cantando no estilo bossa nova.

Principais Obras

Poesia
O Caminho para a Distância
Forma e Exegese
Ariana, a Mulher
Novos Poemas
Cinco Elegias
Poemas, Sonetos e baladas
Pátria Minha
Livro de Sonetos
O Mergulhador
A Arca de Noé
Prosa
Amor dos Homens
Para Viver um grande amor
Para uma Menina com uma Flor
Teatro
Orfeu da Conceição Pobre Menina Rica