As Filhas Sem Nome – Xinran

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Baseado em histórias reais, As Filhas Sem Nome narra a trajetória do camponês Li Zhongguo, um homem infeliz por ter apenas filhas mulheres e que, por isso, jamais lhes deu um nome verdadeiro (na China, quem não tem filhos fortes e provedores são considerados infelizes). Ele sentia tanta vergonha disso que nomeou as suas filhas na ordem numérica de cada nascimento.

Mas, contudo, elas conseguem escapar ao destino de subserviência a que estavam fadadas. As filhas Três, Cinco e Seis surpreenderam a família com a notícia de que iriam largar a vida no campo para trabalhar na cidade de Nanjing. Mesmo com a falta de experiência – inclusive estudos – as irmãs descobrem que qualquer pessoa, independente do sexo e etnia, pode dar a volta por cima na vida em um mundo globalizado. Na cidade, as jovens descobrem seu lugar no mundo, mas não abandonam o afeto e o respeito pelo lugar de origem.

Mais do que uma viagem sobre a cultura chinesa, o livro de Xinran é um mundo paralelo para ser explorado infinitamente. E para pensar em como a ignorância atrasa o crescimento de qualquer ser humano. Um livro para ser lido e relido!

 

 

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Mensagem de uma mãe chinesa desconhecida – Xinran

Localização do livro na estante: G306.87430951 / X6m

Localização do livro na estante: G306.87430951 / X6m
PISO 5 (Direita – Bloco 2)

Mensagem de uma mãe chinesa desconhecida apresenta histórias de mães e filhas apartadas por circunstâncias sociais que impuseram aos chineses a política do filho único.

Xinran, autora do livro, relata as emocionantes histórias que ouviu quando trabalhava de apresentadora de um programa de rádio. Dando voz as mães que não puderam vivenciar sua maternidade e aos filhos, em grande parte do sexo feminino, que não sentiram o caloroso abraço de uma mãe. Xinran conta em forma de reportagem e estudo social as mais emocionantes experiências vivenciadas na China.

Uma obra repleta de reflexões e dramas. Vale a pena conferir!

Viaje em alguns trechos:

 “Muitas mulheres, sobretudo em áreas rurais pobres, sofriam tanto que isso as tornava indiferentes ou até mesmo cruéis para com outras mulheres. Também não acreditavam que suas próprias filhas pudessem fugir desse círculo vicioso, e no entanto não queriam vê-las “desgraçando” a família, ou sofrendo o mesmo tipo de destino que lhes fora infligido. Então, às vezes num ato de amor, elas as “livravam do sofrimento”, asfixiando-as logo após o nascimento. É possível que os tempos tenham mudado na China mas muitas mães, sobretudo as que vivem em áreas pobres urbanas e rurais, continuam a enfrentar os mesmos dilemas; isso, parece, fazia parte de ser mulher e de ser mãe.” (p. 65)

“[…] Ele me culpava por ser fria e calculista e por não ser uma mãe adequada. Apesar de ele ter concordado com o nosso plano. Tomamos a decisão juntos. Mas de que adianta repassar tudo isso de novo? Nós dois soubemos, depois de nossa filha ter sido adotada, que tudo estava terminado entre nós.

[…]

Perguntei se ela tinha notícias da menina.

“No ano passado, no seu quinto aniversário, o orfanato recebeu um vídeo enviado pelos pais. As velas sobre o bolo foram acesas, e ela estava olhando para a câmera, enquanto fazia um desejo: ‘Quero que a minha mamãe chinesa saiba que eu sou uma boa menina!’.” A voz de Mary Verde se desfez em lágrimas.” (p.190)

 

Ouça aqui Mensagem de uma mãe chinesa desconhecida

+ Xinran Xue

  Xinran Xue nasceu em Pequim em 1958. Foi levada para viver com sua avó com um mês de idade e retornou ao convívio com seus pais quando tinha sete anos.

Durante a revolução cultural toda pessoa que pertencesse a uma família rica, que tivesse recebido educação superior e tivesse ligações com o exterior era classificada como contra-revolucionária. Seus paisque vinham de famílias capitalistas e falavam línguas estrangeiras, foram presos e Xinran e seu irmão enviados para uma prisão infantil; neste lugar eram proibidos de brincar com outras crianças e constantemente eram surpreendidos a noite com os gritos de crianças que eram espancadas e violentadas pelos guardas.

 Xinran estudou na escola do exército, quando criançasonhava ser diplomata, advogada, jornalista, ou escritora. Quando teve a oportunidade de escolher uma profissão, deixou o emprego administrativo que ocupou no exército durante doze anos para tornar-se jornalista. Em seu programa de rádio Palavras na Brisa Noturna possibilitou que muitas mulheres relatassem a violência e o preconceito que sofriam, por este motivoficou conhecida como a jornalista que ergueu o véu das mulheres chinesas.

Trabalhou em Nanquim até 1997 quando proibida de publicar seu livro mudou-se para Londres, ondecasou-se com um inglês, que é seu editor e tem um filho, Pan Pan.

É colunista no jornal The Guardian e professora na Schoolof Oriental andAfricanStudies na Universidade de Londres.

Xinran fundou uma ONG The Mother’s Bridge of Love, que auxilia órfãos chineses e ajuda a estreitar a relação e compreensão entre o Ocidente e a China.

É autora dos livros: “Enterro Celestial”;  “O que os chineses não comem”; “As filhas sem nome”; “Mensagem de uma mãe chinesa desconhecida“; “Testemunhas da China” e  “Boas Mulheres da China”.