As garotas da fábrica – Leslie T. Chang

Localização do livro na estante: G331.40951 / C456g
PISO 5 (Direita – Bloco 2)

As garotas da fábrica retrata a vida de duas jovens operárias que buscam ascensão social na linha de montagem de uma fábrica no sul da China. Descrevendo sobre a grande população de anônimas que trabalham em condições insalubres e excessivas para abastecer o consumo do planeta, Leslie T. Chang entrelaça a história de sua própria família e outras referências históricas para mostrar o universo dos migrantes chineses e as gigantescas fábricas.

Tal obra ganhou vários títulos como o Livro notável de 2008 do New York Times, um dos 10 melhores livros de não ficção do ano na Time, um dos melhores livros do ano no Washington Post, melhor livro de não ficção no San Francisco Chronicle e melhor livro de negócios na Business Week, além de alguns recortes e críticas nos principais jornais americanos. Vale a pena saborear a história dessa sociedade que não para e se emocionar com os relatos de pessoas humildes e guerreiras!

Saboreie alguns trechos:

“Começamos a trabalhar às sete da manhã e paramos às nove da noite. Depois tomamos banho e lavamos as roupas. Por volta das dez, as que têm dinheiro saem para um lanche noturno, e as que não têm vão dormir. Dormimos até seis e meia da manhã. Ninguém quer levantar da cama, mas temos de estar no trabalho às sete. Faltam vinte minutos: arrastar-se para fora da cama, esfregar os olhos inchados, lavar o rosto e escovar os dentes. Faltam dez minutos: as que querem fazer o desjejum aproveitam esses dez minutos, mas já vi muita gente deixar de comer. Não sei se é porque não tem fome ou para economizar, ou ficar magra…” (p.50)

“Certa noite, depois do retorno a Dongguan, perguntei a Min e Ah Jie como conseguiram as bolsas.

– Fazendo amizade com os seguranças, a gente consegue sair com as bolsas – explicou Ah Jie.

– Simplesmente assim, roubando? – perguntei.

– Nós trabalhamos na fábrica – disse Ah Jie, em tom de quem explica o óbivio. – Quando a linha de produção faz uma encomenda, podemos providenciar a fabricação de algumas bolsas a mais. E se fazemos amizade com os guardas, podemos levá-las para fora.

– E a fábrica não se importa? – insisti.

Ele deu de ombros.

– Desde que a encomenda seja atendida, eles não estão nem aí. Hoje mesmo saí da fábrica com uma bolsa – prosseguiu Ah Jie. – Vale 200 dólares americanos. Vai querer? Por que não vem dar uma olhada?

[…]” (p.323)

Clique Aqui para Ouvir: As Garotas da Fábrica

Mensagem de uma mãe chinesa desconhecida – Xinran

Localização do livro na estante: G306.87430951 / X6m

Localização do livro na estante: G306.87430951 / X6m
PISO 5 (Direita – Bloco 2)

Mensagem de uma mãe chinesa desconhecida apresenta histórias de mães e filhas apartadas por circunstâncias sociais que impuseram aos chineses a política do filho único.

Xinran, autora do livro, relata as emocionantes histórias que ouviu quando trabalhava de apresentadora de um programa de rádio. Dando voz as mães que não puderam vivenciar sua maternidade e aos filhos, em grande parte do sexo feminino, que não sentiram o caloroso abraço de uma mãe. Xinran conta em forma de reportagem e estudo social as mais emocionantes experiências vivenciadas na China.

Uma obra repleta de reflexões e dramas. Vale a pena conferir!

Viaje em alguns trechos:

 “Muitas mulheres, sobretudo em áreas rurais pobres, sofriam tanto que isso as tornava indiferentes ou até mesmo cruéis para com outras mulheres. Também não acreditavam que suas próprias filhas pudessem fugir desse círculo vicioso, e no entanto não queriam vê-las “desgraçando” a família, ou sofrendo o mesmo tipo de destino que lhes fora infligido. Então, às vezes num ato de amor, elas as “livravam do sofrimento”, asfixiando-as logo após o nascimento. É possível que os tempos tenham mudado na China mas muitas mães, sobretudo as que vivem em áreas pobres urbanas e rurais, continuam a enfrentar os mesmos dilemas; isso, parece, fazia parte de ser mulher e de ser mãe.” (p. 65)

“[…] Ele me culpava por ser fria e calculista e por não ser uma mãe adequada. Apesar de ele ter concordado com o nosso plano. Tomamos a decisão juntos. Mas de que adianta repassar tudo isso de novo? Nós dois soubemos, depois de nossa filha ter sido adotada, que tudo estava terminado entre nós.

[…]

Perguntei se ela tinha notícias da menina.

“No ano passado, no seu quinto aniversário, o orfanato recebeu um vídeo enviado pelos pais. As velas sobre o bolo foram acesas, e ela estava olhando para a câmera, enquanto fazia um desejo: ‘Quero que a minha mamãe chinesa saiba que eu sou uma boa menina!’.” A voz de Mary Verde se desfez em lágrimas.” (p.190)

 

Ouça aqui Mensagem de uma mãe chinesa desconhecida