À Sombra das Chuteiras Imortais – Nelson Rodrigues

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Localização na estante: G 869.94 R696s Piso 2 (Direita – Bloco 1)

Em clima de Copa do Mundo, nossa indicação é “À Sombra das Chuteiras Imortais”, de Nelson Rodrigues.

Este livro foi organizado por Ruy Castro e reúne crônicas futebolísticas do escritor e dramaturgo, num período de 20 anos: começando em 1950 (quando o Brasil perdeu a Copa Mundial para o Uruguai, no Maracanã) até 1970 (quando veio a alegria do tricampeonato mundial contra o México).

Rodrigues mal enxergava, mas “retratou o futebol com uma dimensão épica” como ninguém. Essa sensação ficou bem presente em “O MAIS BELO FUTEBOL DA TERRA”, onde evidencia sua paixão pelo futebol e demonstra muita insatisfação com os brasileiros que não acreditavam na seleção: “essa falta de autoestima tem sido a vergonha (…) a desventura de todo um povo”.

Escrevia o que pensava sobre futebol e sobre os brasileiros. Numa de suas crônicas, publicada pouco antes de um jogo contra a Inglaterra, declarou que precisávamos refletir e que, nós brasileiros, “somos burros, burríssimos” por não acreditar na “arte do futebol brasileiro”, ou seja, algo inaceitável em sua visão de mundo. Porém, Rodrigues, sabia reconhecer um craque: exaltava Garrincha e Pelé (o “crioulo”, o “divino”).

Saboreie: “Vejam quantos jogaram. Primeiro, Paulo César passou a Tostão. E Tostão resolveu jogar em cima dos ingleses. Em vez de passar de primeira, deu-se ao luxo voluptuoso de driblar um inimigo; mas era pouco para a sua fome, e driblou outro inimigo. Podia passar. Mas Tostão preferiu enfiar a bola por entre as pernas do terceiro inimigo. Adiante estava Pelé. E o estilista estende a Pelé. Cercado de ingleses por todos os lados, o semidivino crioulo toca para Jairzinho. Este podia ter atirado de primeira. Não: — achou que devia driblar mais outro inglês. E só então sua bomba foi explodir no fundo das redes.” p. 215

+ Nelson Rodrigues

O pernambucano, Nelson Rodrigues, nasceu em Recife em 23 de agosto de 1912. Em 1916 mudou-se para a cidade do Rio de Janeiro.

Anos mais tarde ele viria a trabalhar para o jornal “A Manhã“, como repórter policial. Também escreveu peças teatrais, como Vestido de Noiva, que iniciou o processo de modernização do teatro nacional.

Em ordem cronológica, por volta de 1929, ele e seus irmãos Milton e Mário Filho assumiram a redação do jornal do pai Mário Rodrigues, o diário “Crítica”. Poucos anos depois, escândalos e a tuberculose fizeram a família ter prejuízos, fazendo com que passassem fome. Sua volta às colunas é feita no jornal “O Globo”, mas seu primeiro salário é recebido apenas em 1932.

Foi amigo de Roberto Marinho, editor do caderno “O Globo Juvenil“, casou-se com Elza (sua companheira de redação) em 1940 e em 1941 lança sua peça “Vestido de Noiva“.

Tem alguns textos sob o pseudônimo de Susana Flag e a peça teatral Álbum de Família censurada.

Por volta de 1962, já com seus 50 anos, é que Rodrigues começa a focar apenas nas crônicas esportivas, que evidenciavam sua paixão pelo futebol. Seu time do coração era o Fluminense e este aparecia em várias de suas crônicas.

Sua saúde começa a dar sinais de decadência na década de 1970 e também nesse período, o relacionamento com a esposa estava conturbado. Nelson Rodrigues faleceu em 1980 com problemas cardiorrespiratórios, aos 68 anos.

Conhecido por não ter “papas na língua”, pela sua paixão pelo futebol e por seus conteúdos pornográficos. Atualmente ele é homenageado em página da rede social Facebook: Nelson Rodrigues #NelsonExplica

Quando o assunto é futebol, Rodrigues é o maior nome… fora de campo.